
Decidi começar com um título magnífico que li no hi5, primeiro porque sou uma pessoa muito social e hospitaleira (isto quer dizer que a minha vida resume-se ao hi5), segundo porque a frase é espectacularmente profunda, e terceiro fiz 18 anos e estou muito mais maduro do que nunca. Desde ontem que não faço xixi na cama e que comecei a falar sobre a teoria da relatividade de Einstein. Estou também a pensar lavar-me mais vezes.
No outro dia fui às festas do “Senhô” (quem não sabe isto o que é já vai perceber). São umas festas engraçadas em que as pessoas esquecem-se do que realmente significam e acham que é uma boa altura para se embebedarem e andarem ao monte na cidade de Ponta Delgada, porque algum dia hão-de estar absolvidas dos pecados em nome do Nosso Senhor Santo Cristo dos Milagres. Claro que nem tudo é assim, há gente que vai lá mesmo por devoção, mas se uma pessoa quer ter uma boa noite passada em Ponta Delgada nesta altura só o vai conseguir se passar pelos 1500 cadáveres de jovens alcoolizados e pelo monte de lixo que fica depositado nos passeios.
Nesta altura do ano é quando a espécie Pitus engatus sai à noite, transformando o momento num autêntico programa do National Geographic: «E é aqui que tudo começa, a fêmea ingere substâncias tóxicas pensando que são guloseimas e finge cair de fraqueza… Solta o odor característico e o macho dominante fica alerta. Este magnífico exemplar da espécie começa a realizar a dança de acasalamento, achando apropriado dizer piadas sem piada e empurrar o indivíduo do sexo oposto em várias direcções. Eis que chega o momento… sentam-se num banco a falar numa conversa que ninguém percebe e é aqui que começam a criar memórias, mesmo ao lado do vendedor de cachorros quentes que pelos vistos também está bêbado. Estão prontos para a reprodução segura, isto se o preservativo não rebentar acidentalmente.
Esta espécie espantosa também tem a capacidade de formar os chamados “grupos de consolo”, especialmente se o parceiro sexual faz câmbio de outro parceiro sem avisar. Costuma ser o fim do mundo nestas situações de grande desespero emocional.»
E depois no dia seguinte acordo e leio no jornal: “Marido mata mulher com picareta” (tendo filhos menores).
Realmente a vida é um presente… o pior é quando o desembrulhamos e no final de contas sai-nos uma picareta.








